O Grupo Primus, composto pelos produtores rurais Deivi Galvão Lima e Sabrina Pimentel Lopes Galvão, juntamente com as empresas Primus Auto Center Ltda e Xiru Auto Center Ltda, ajuizou pedido de recuperação judicial perante a Vara Cível da Comarca de Balsas, no Maranhão. O grupo empresarial atua em dois segmentos distintos: a prestação de serviços automotivos, atividade iniciada em 2017 com a fundação da Primus e expandida em 2021 com a criação da Xiru, e a pecuária de corte, desenvolvida em fazendas localizadas nos municípios de Balsas e Sambaíba.
A trajetória empresarial do grupo está centrada na figura de Deivi Galvão Lima, que iniciou sua vida profissional aos quatorze anos no ramo de mecânica automotiva em empresa familiar e, ao longo de quatro décadas, acumulou experiência suficiente para fundar seu próprio negócio. O sucesso obtido com a Primus Auto Center permitiu ao casal diversificar seus investimentos a partir de 2021, retomando as origens familiares no agronegócio mediante aquisição de propriedades rurais e formação de rebanho bovino. A Sra. Sabrina passou a atuar diretamente na administração tanto das empresas automotivas quanto das atividades pecuárias.
A crise econômico-financeira que motivou o pedido recuperacional decorre de uma sucessão de fatores externos ao controle dos requerentes. Em 2021, a confirmação de casos de encefalopatia espongiforme bovina, a chamada "doença da vaca louca", provocou a suspensão voluntária das exportações de carne para a China, principal mercado comprador brasileiro. O represamento da produção no mercado interno causou desvalorização aproximada de 25% no preço da arroba bovina, frustrando as projeções financeiras realizadas pelo grupo, que havia calculado seus investimentos com base em cotação de R$ 304,64 por arroba.
Nos anos seguintes, o cenário permaneceu adverso. Em 2022, rumores sobre mortes supostamente relacionadas ao consumo de carne bovina na Bahia mantiveram a demanda retraída, impedindo a recuperação dos preços. Em 2023, o ciclo de baixa da pecuária provocou nova queda superior a 30% na cotação da arroba, tornando cada ciclo produtivo deficitário, com o preço de venda sistematicamente inferior ao custo de engorda. Em 2024, o fenômeno El Niño causou severa estiagem na região do MATOPIBA, degradando as pastagens e elevando exponencialmente os custos com suplementação animal, ao mesmo tempo em que a quebra nas safras de milho e soja encarecia esses insumos.
A conjugação desses fatores esgotou o capital de giro do grupo empresarial e contaminou as atividades de auto center. Os recursos da Primus e da Xiru foram progressivamente direcionados para cobrir os déficits das fazendas, desequilibrando as finanças de ambos os segmentos. A crise de crédito verificada em 2025, com restrição drástica ao financiamento e elevação dos custos, eliminou qualquer perspectiva de recuperação por meios próprios.
O grupo empresarial demonstra unidade econômica evidenciada pela existência de garantias cruzadas entre seus integrantes, identidade societária, centralização administrativa no núcleo familiar e atuação conjunta no mercado, inclusive com as empresas Primus e Xiru operando no mesmo endereço físico. Por esses fundamentos, os requerentes pleiteiam a consolidação substancial do passivo nos termos do artigo 69-J da Lei de Recuperação e Falências.
Em sede de tutela de urgência, o grupo solicita o reconhecimento da essencialidade dos bens imóveis e móveis gravados com alienação fiduciária, incluindo as fazendas onde desenvolve a atividade pecuária, os imóveis comerciais das empresas automotivas, veículos, equipamentos mecânicos e sistema de geração fotovoltaica. Requer também que os credores sejam impedidos de declarar o vencimento antecipado dos contratos em razão do ajuizamento da recuperação judicial. O pedido foi distribuído com valor de causa de R$ 100.000,00, com solicitação de que eventual adequação ocorra apenas após a aprovação do plano de recuperação pela assembleia geral de credores.